Sobre o blog

Esse blog foi criado há muito tempo e, durante esse percurso houve muitas modificações quanto à sua finalidade. De todo modo, o maior objetivo hoje é refletir um pouco sobre a vida, a sociedade e o amor. Às vezes em prosa, às vezes em verso. Traduz o que me marca, o que sinto, o que penso ou o que desejo. Sejam bem vindos. Fiquem à vontade.

domingo, 30 de junho de 2019



De repente faz tanto sentido parar para olhar uma poetisa cantora
Um dia Elza 
Outro dia Maria
Soares e depois Bethania
Divas 
De repente ... ou não ... numa transição talvez ... o coração vai compreendendo a poesia que antes era apenas ritmo ... era ritmo nesse meu coração menino que só queria dançar ... que só queria pular ... sem silêncio aqui dentro, quase nunca ouvia a mensagem por entre a doçura das notas musicais ... um sorriso que culminava em gargalhada constante ... quando, por vezes, esse riso era desespero ... sentimentos que eu nem fazia ideia que sentia ... emoções que nem sabia que não sabia ... 
De repente, não mais que de repente ... olho pra tão lá dentro ... e fico aqui desvendando esse eu que estava tão submerso ... 
Que momento maravilhoso em mim mesma: quando finalmente, de fora pra dentro, venho descobrindo e decifrando um enigma essencial. 
Eu sou o que sou. 
E me transmudo. 
E me transpacto.
E me refaço. 
Mergulho em mim mesma!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

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O PRAZER DE SERVIR

                                     
(autora: Gabriela Mistral) *
Tradução de Fernandes Soares

 

Toda a natureza é um serviço.

Serve a nuvem, serve o vento, serve a chuva.

Onde haja uma árvore para plantar, plante-a você;

Onde haja um erro para corrigir, corrija-o você;

Onde haja um trabalho e todos se esquivam, aceite-o você.

Seja o que remove a pedra do caminho,

O ódio entre os corações e as dificuldades do problema.

Há a alegria de ser puro e a de ser justo;

mas há, sobretudo, a maravilhosa, a imensa alegria de servir.

Que triste seria o mundo, se tudo se encontrasse feito,

se não existisse uma roseira para plantar, uma obra a se iniciar!

Não o chamem unicamente os trabalhos fáceis.

É muito mais belo fazer aquilo que os outros recusam.

Mas não caia no erro de que somente há mérito

nos grandes trabalhos;

há pequenos serviços que são bons serviços:

adornar uma mesa, arrumar seus livros, pentear uma criança.

Aquele é o que critica; este é o que destrói; seja você o que serve.

O servir não é faina de seres inferiores,

Deus que dá os frutos e a luz, serve.

Seu nome é: AQUELE QUE SERVE!

Ele tem os olhos fixos em nossas mãos

e nos pergunta cada dia: SERVIU HOJE? A QUEM?

À ARVORE? A SEU IRMÃO? À SUA MÃE?

(*) Gabriela Mistral, poeta chilena, premio Nobel de Literatura de 1945


Descobri essa poetisa por meio da professora Lucia Helena Galvão, da Escola de Filosofia Nova Acrópole.